Sessenta reais. Esse foi o preço que paguei para eu e meu filho sofrermos na final do jogo entre Botafogo e Flamengo no último domingo no maracanã. O sofrimento não foi pelo jogo, que por sinal foi um espetáculo lindo, tanto no campo quanto nas arquibancadas e cadeiras. O grande problema começou desde a compra dos ingressos na terça-feira, primeiro dia de venda. A falta de organização e respeito aos torcedores que pagam caro pela entrada é total. Era apenas um setor de bilheterias com poucos guichês funcionando para atender a uma fila de milhares de torcedores no maracanã. Esperei três horas e vinte minutos na fila para comprar os dois ingressos.
Mas os problemas não param por aí. No domingo,dia do jogo, enfrentamos um engarrafamento monstruoso para chegarmos ao estádio, mesmo chegando duas horas antes de o jogo começar. Até aí, tudo bem. Sabemos que em dias de jogos o transito fica ruim mesmo. O problema, é que não havia controle do transito por parte da PM e nem da Guarda Municipal nas ruas que dão acesso ao maracanã. Se fossemos de transporte público enfrentaríamos outros problemas: Ônibus lotados, demora, tumultos... Ao chegarmos próximo do maracanã, nos deparamos com uma horda de flanelinhas, que só faltam invadir o carro e te obrigar a estacionar onde eles queriam. Mesmo depois de ter visto antes pela televisão, uma entrevista de um comandante de batalhão de transito da PM dizendo que a polícia ia coibir a atuação dos flanelinhas, não foi o que aconteceu. Vencida essa barreira, conseguimos parar o carro numa rua distante do estádio e aparentemente mais tranqüila, já que o estacionamento da UERJ estava lotado.
Para entrar no estádio, pelo lado onde estava entrando a torcida do Flamengo foi outra aventura, que me fez desistir e entrar por onde entrou a torcida do Botafogo, que foi pouco menos tumultuada. Pelo lado do Flamengo, a falta de organização era total. Não consigo entender, como as pessoas pagam ingressos tão caros para ir a um estádio de futebol, passam por tantos percalços e deixam por isso mesmo. A polícia Militar, que deveria ajudar a manter a ordem, e garantir a segurança dos torcedores era o que mais causava medo, dado a truculência como agiam diante do caos. Pagar para apanhar da polícia é o fim. As imagens mostradas hoje, nos tele-jornais corrobaram o que testemunhei pessoalmente. Até tiros foram disparados, sabe-se lá se da arma de algum policial ou torcedor, ferindo duas pessoas.
Diante de um quadro como esse, quem garante a um pai que ele pode ir tranqüilamente com a família assistir ao time do coração? Eu mesmo estava há 16 anos sem ir ver um jogo de futebol em estádio. Voltei a freqüentar os jogos no início deste ano, por insistência do meu filho, que tem justamente 16 anos. Até então, não tinha coragem de levá-lo aos jogos, por que tinha muito medo que algo pudesse acontecer com ele e eu não poder protegê-lo. Pelo menos, hoje ele já entende e sabe o que fazer em caso de confusão. Mesmo assim a preocupação é grande.
Por Jorge Soares Gomes
2 comentários:
Concordo inteiramente.É pagar pra sofrer, por isso não vou aos estádios, e não é por falta de vontade das crianças, mas é totalmente inviável e imcompatível com a atual insegurança em que vivemos. Mas infelizmente a população tem uma grande parcela de culpa nisso tudo, a falta de educação, de respeito ao próximo e a vida humana, contribuem muito para esse caos em que vivemos. sheila.
Concordo com você Jorge. PArabéns pelos textos. Abs
e acesse o meu blog também.
vertigop.blogspot.com
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