sábado, 19 de abril de 2008

BANDIDO É PEÇA DE REPOSIÇÃO


Bandido é peça de reposição. Para cada marginal que vai preso ou morre, tem uma quantidade muito grande querendo a vaga dele. Por tanto, não adianta essa política de brincar de resolver o problema.Entrar nas favelas dando tiro a esmo também não resolve.
O comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim diz que a polícia faz um trabalho de inseticida social. O que o governo precisa é fazer um trabalho sério e competente para diminuir o problema da violência. Um deles, passa pelo planejamento familiar. Não vejo da parte do governo um trabalho sério e continuado nesse sentido. Precisa de um esforço concentrado nos três níveis de governo, municipal, estadual e federal, para à médio e longo prazo melhorar essa questão. A educação, que também serve para ajudar a tirar o jovem da marginalidade vai de mal a pior.

Não precisa muito estudo ou pesquisa para ver onde está o problema da marginalidade no país. Basta ver o histórico de vida das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. De modo quase que geral, são indivíduos que sequer conhece o pai. Ou seja, são oriundos de famílias numerosas, as vezes cada um de um pai diferente. No Rio de Janeiro é muito comum ver em comunidades carentes esse tipo de problema. A mãe, geralmente adolescente pobre com pouca instrução conhece o primeiro namorado, engravida e o pai não assume a criança. Vem o segundo namorado, e acontece o mesmo, e assim por diante até que de repente, essa mulher se dá conta que está com quatro filhos ou mais e sem condições de sustentá-los sozinha. Sem opção ela terá que trabalhar para tentar manter as crianças. Sem ter onde deixá-los, acaba que as elas ficam sozinhas em casa. E assim vão crescendo, algumas não freqüentam escolas, outras começam a trabalhar cedo ou simplesmente ficam perambulando pelas ruas.

Foi se o tempo em que o próprio bandido fazia questão de manter os menores de idade fora do tráfico, mas infelizmente isso mudou, e hoje os jovens entram para a marginalidade cada vez mais cedo. O pior, é que esse adolescente é justamente aquele que cresceu no ambiente degradado e que são as presas mais fáceis para o tráfico cooptar.
Não concordo com o governador Sérgio Cabral quando ele disse que a Rocinha é fábrica de marginais, mas acho que ele, em conjunto com as outras esferas de governo precisam pensar melhor na questão do planejamento familiar e fazer um trabalho amplo nesse sentido. A questão é polêmica por que a igreja católica e parte dos evangélicos são contra o uso da camisinha e outros contraseptivos, e os políticos não querem perder os votos dos religiosos. Quase ninguém sabe que o SUS faz cirurgia de laqueadura de trompas de graça. Por que não sabem? Porque o governo não divulga. No Brasil se governa pensando nos votos que se pode ganhar ou perder, e assim, rumamos em direção ao atraso.

Por Jorge Soares Gomes

Um comentário:

@docarmoxavier disse...

Jorginho, amei o blog!!! E passei aqui pra te dar um bjo!
Maria do Carmo