segunda-feira, 5 de maio de 2008

PAGAR PARA SOFRER

Sessenta reais. Esse foi o preço que paguei para eu e meu filho sofrermos na final do jogo entre Botafogo e Flamengo no último domingo no maracanã. O sofrimento não foi pelo jogo, que por sinal foi um espetáculo lindo, tanto no campo quanto nas arquibancadas e cadeiras. O grande problema começou desde a compra dos ingressos na terça-feira, primeiro dia de venda. A falta de organização e respeito aos torcedores que pagam caro pela entrada é total. Era apenas um setor de bilheterias com poucos guichês funcionando para atender a uma fila de milhares de torcedores no maracanã. Esperei três horas e vinte minutos na fila para comprar os dois ingressos.

Mas os problemas não param por aí. No domingo,dia do jogo, enfrentamos um engarrafamento monstruoso para chegarmos ao estádio, mesmo chegando duas horas antes de o jogo começar. Até aí, tudo bem. Sabemos que em dias de jogos o transito fica ruim mesmo. O problema, é que não havia controle do transito por parte da PM e nem da Guarda Municipal nas ruas que dão acesso ao maracanã. Se fossemos de transporte público enfrentaríamos outros problemas: Ônibus lotados, demora, tumultos... Ao chegarmos próximo do maracanã, nos deparamos com uma horda de flanelinhas, que só faltam invadir o carro e te obrigar a estacionar onde eles queriam. Mesmo depois de ter visto antes pela televisão, uma entrevista de um comandante de batalhão de transito da PM dizendo que a polícia ia coibir a atuação dos flanelinhas, não foi o que aconteceu. Vencida essa barreira, conseguimos parar o carro numa rua distante do estádio e aparentemente mais tranqüila, já que o estacionamento da UERJ estava lotado.

Para entrar no estádio, pelo lado onde estava entrando a torcida do Flamengo foi outra aventura, que me fez desistir e entrar por onde entrou a torcida do Botafogo, que foi pouco menos tumultuada. Pelo lado do Flamengo, a falta de organização era total. Não consigo entender, como as pessoas pagam ingressos tão caros para ir a um estádio de futebol, passam por tantos percalços e deixam por isso mesmo. A polícia Militar, que deveria ajudar a manter a ordem, e garantir a segurança dos torcedores era o que mais causava medo, dado a truculência como agiam diante do caos. Pagar para apanhar da polícia é o fim. As imagens mostradas hoje, nos tele-jornais corrobaram o que testemunhei pessoalmente. Até tiros foram disparados, sabe-se lá se da arma de algum policial ou torcedor, ferindo duas pessoas.

Diante de um quadro como esse, quem garante a um pai que ele pode ir tranqüilamente com a família assistir ao time do coração? Eu mesmo estava há 16 anos sem ir ver um jogo de futebol em estádio. Voltei a freqüentar os jogos no início deste ano, por insistência do meu filho, que tem justamente 16 anos. Até então, não tinha coragem de levá-lo aos jogos, por que tinha muito medo que algo pudesse acontecer com ele e eu não poder protegê-lo. Pelo menos, hoje ele já entende e sabe o que fazer em caso de confusão. Mesmo assim a preocupação é grande.

Por Jorge Soares Gomes

sábado, 19 de abril de 2008

BANDIDO É PEÇA DE REPOSIÇÃO


Bandido é peça de reposição. Para cada marginal que vai preso ou morre, tem uma quantidade muito grande querendo a vaga dele. Por tanto, não adianta essa política de brincar de resolver o problema.Entrar nas favelas dando tiro a esmo também não resolve.
O comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim diz que a polícia faz um trabalho de inseticida social. O que o governo precisa é fazer um trabalho sério e competente para diminuir o problema da violência. Um deles, passa pelo planejamento familiar. Não vejo da parte do governo um trabalho sério e continuado nesse sentido. Precisa de um esforço concentrado nos três níveis de governo, municipal, estadual e federal, para à médio e longo prazo melhorar essa questão. A educação, que também serve para ajudar a tirar o jovem da marginalidade vai de mal a pior.

Não precisa muito estudo ou pesquisa para ver onde está o problema da marginalidade no país. Basta ver o histórico de vida das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. De modo quase que geral, são indivíduos que sequer conhece o pai. Ou seja, são oriundos de famílias numerosas, as vezes cada um de um pai diferente. No Rio de Janeiro é muito comum ver em comunidades carentes esse tipo de problema. A mãe, geralmente adolescente pobre com pouca instrução conhece o primeiro namorado, engravida e o pai não assume a criança. Vem o segundo namorado, e acontece o mesmo, e assim por diante até que de repente, essa mulher se dá conta que está com quatro filhos ou mais e sem condições de sustentá-los sozinha. Sem opção ela terá que trabalhar para tentar manter as crianças. Sem ter onde deixá-los, acaba que as elas ficam sozinhas em casa. E assim vão crescendo, algumas não freqüentam escolas, outras começam a trabalhar cedo ou simplesmente ficam perambulando pelas ruas.

Foi se o tempo em que o próprio bandido fazia questão de manter os menores de idade fora do tráfico, mas infelizmente isso mudou, e hoje os jovens entram para a marginalidade cada vez mais cedo. O pior, é que esse adolescente é justamente aquele que cresceu no ambiente degradado e que são as presas mais fáceis para o tráfico cooptar.
Não concordo com o governador Sérgio Cabral quando ele disse que a Rocinha é fábrica de marginais, mas acho que ele, em conjunto com as outras esferas de governo precisam pensar melhor na questão do planejamento familiar e fazer um trabalho amplo nesse sentido. A questão é polêmica por que a igreja católica e parte dos evangélicos são contra o uso da camisinha e outros contraseptivos, e os políticos não querem perder os votos dos religiosos. Quase ninguém sabe que o SUS faz cirurgia de laqueadura de trompas de graça. Por que não sabem? Porque o governo não divulga. No Brasil se governa pensando nos votos que se pode ganhar ou perder, e assim, rumamos em direção ao atraso.

Por Jorge Soares Gomes

segunda-feira, 17 de março de 2008

CRIME E IMPUNIDADE

CRIME E IMPUNIDADE

No Brasil é muito fácil cometer crimes e continuar impune. O criminoso não precisa nem fazer muita coisa para se livrar do castigo. Basta contar com a morosidade da justiça, com a incompetência da polícia e com a passividade e resignação da sociedade que apesar de ficar indignada com todo o estado de coisas que acontece no país, nada faz para mudar o quadro degradante que a cada dia só faz piorar. Mas não pensem que ficar impune é privilégio para todos. Nada disso. Punição é só para pobres. Para não ir pra cadeia, o criminoso precisa de alguns pré-requisitos. O primeiro e principal deles é ter dinheiro. Com dinheiro, o criminoso poderá contratar um bom advogado, que encontrará algumas brechas em nossa tão fragilizada lei penal. Pré-requisito número dois é ser influente e ter conhecimentos. É o famoso você sabe com quem ta falando? Esses normalmente são autoridades policias, juizes, políticos, etc...Aliás, virar político no Brasil é um bom caminho para quem quer continuar cometendo crimes. Qual criminoso não gostaria de desfrutar da tal “impunidade parlamentar”. Também conhecida como imunidade parlamentar, que trocando em miúdos virou licença para o político cometer todo tipo de barbaridades e continuar impune.

Faz tempos que estamos acompanhando pela mídia (acompanhando e ficando indignados são as únicas coisas que nós, brasileiros sabemos fazer) escândalos envolvendo políticos e gente dos governos em todos os níveis: Federal, Estadual e Municipal. O mais recente, qual é mesmo mais recente? É o tal “Bolsa Fraude” na Alerj. Pelo menos dez parlamentares estão sendo investigados por suspeita de fraude no auxílio educação concedido aos filhos de funcionários lotados nos gabinetes dos deputados . Todos sabemos que o máximo que poderá acontecer, mesmo que se prove o envolvimento dos suspeitos será a cassação. Cadeia jamais. Se os criminosos somarem o custo-benefício, chegarão à conclusão de que valeu a pena cometer o ilícito.

Vamos sonhar um pouco! Imaginem se o povo acordar para a realidade e começar e exigir punição, ir para as ruas pedindo a cabeça dos corruptos. Infelizmente, essa situação no memento letárgico em que se encontra o povo está um pouco longe da realidade. Salvo em algumas situações em que meia dúzia de gatos pingados estendem faixas de protestos, fazem passeatas ou vão até as portas dos palácios fazer protestos. Até os movimentos estudantis estão reclusos. Sinto saudades dos caras pintadas que ajudaram a derrubar um presidente e do movimento das diretas já. Uma pessoa que não conheça o Brasil e venha passar um tempo por aqui pode até estranhar por que somos um povo com uma capacidade tão grande de nos unirmos durante eventos esportivos, somos solidários, etc, mas não somos capazes de lutarmos para construir um Brasil decente.

Essa apatia do povo acaba se transformando em campo fértil para todo tipo de aproveitadores, criminosos, políticos mentirosos e incompetentes, e outros mal-feitores.

Para mudar essa situação, basta que as pessoas, principalmente a classe média se mexa e exija mudanças. Alias, a classe média é uma das mais prejudicadas e a que tem mais culpa por termos chegado ao ponto que chegamos. Vou explicar: Quando a saúde começou a ficar deficiente, fomos correndo contratar um plano de saúde para nós e nossos familiares; Quando a educação ficou péssima, procuramos imediatamente um colégio particular para os nossos rebentos; E a segurança...Para nos protegermos, criamos uma série de providências, a maioria apenas para nos dar uma sensação de estarmos seguros. Em algum momento, paramos de exigir dos governos, que eles tem obrigação de nos prover desses serviços, já que nos cobram impostos dos mais altos do mundo.

A Internet é um ótimo instrumento para demonstrarmos indignação, mas não podemos achar que é só mandarmos um texto contra ou a favor dessa ou daquela situação e pensar que já fizemos nossa parte. Precisamos nos mobilizar da mesma forma como fazemos durante a copa do mundo e outros eventos de grande repercussão. Só assim, conseguiremos diminuir se não bastante, pelo menos um pouco a indecência causada pelo bando de exploradores que lotearam o Brasil e se acham donos dele.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Operações policiais nas favelas

O Governador Sérgio Cabral intensificou as operações policias nas favelas do Rio de Janeiro com o intuito de prender traficantes, apreender drogas e armas. Tudo isso com apoio da maioria da população, que com toda a razão está cansada de tanta violência. Só para lembrar, operações da polícia em morros e favelas sempre existiram. Desde os anos 70, quando as quadrilhas começaram a dominar essas comunidades, a polícia esteve sempre fazendo incursões nesses locais. Vários governos se passaram, com diferentes modos de encarar a situação, que só piorou, dega-se de passagem. Alguns realizavam operações constantes, outros não adotavam muito a política do enfrentamento, e assim já se vão quase 40 anos que o povo carioca e fluminense convive com essa situação.
A política do Governador Sérgio Cabral, até então tem sido a do enfrentamento. Vamos analisar o que essas ações tem trazido de resultados práticos e qual o custo-benefício delas. Sem contar que a quantidade de armamentos apreendidos e prisões são, de um modo geral, muito abaixo do potencial bélico e do contingente de marginais existentes nesses locais.
podemos pegar como exemplos os últimos confrontos na Rocinha, onde num titoteio entre a polícia e os bandidos, uma criança inocente foi mortalmente ferida. As imagens veiculadas pelos tele-jornais mostram o quanto nossa polícia está despreparada para ações desse tipo. Nelas aparecem policiais atirando na direção do morro, sem se importar se o tiro vai atingir o bandido ou um inocente.
O objetivo não é defender os bandidos, mas questionar até que ponto essas ações de fato vão resolver a questão da bandidagem que está cada vez mais organizada, e respondendo com mais violência a cada ação da polícia.
Outro ponto a ser observado, é que para cada bandido preso ou morto, tem sempre um grupo muito grande de candidatos a substituí-lo. Por tanto fica parecendo que a polícia está enxugando gelo.
O que é mais grave nessa confusão toda é a degradação das comunidades, que são formadas na maioria, de gente honesta e trabalhadora mas vive marginalizada e sub-jugada pelos facínoras que lá se instalaram.
O que não dá para entender é porque os governantes não atacam o problema com seriedade e vontade. Criar empregos, dar educação de qualidade, saúde que funcione, e segurança eficiente são alguns itens que cabem aos governos, que alias, são sempre os itens em que eles mais prometem durante as campanhas eleitorais.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Quem somos nós

A cada dia vemos nos jornais uma série de notícias que nos fazem questionar: porque isso ainda acontece no Brasil? A resposta é, por que estamos sofrendo um processo de involução. É isso mesmo, estamos caminhando para trás em várias questões. Um bom exemplo é a baixa qualidade dos políticos que elegemos. A grande maioria não está nenhum pouco preparada para os cargos que ocupam. Outros estão apenas interessados em se locupletar com o dinheiro alheio. Estamos presenciando atualmente uma série de denuncias envolvendo pessoas do governo, que sabemos no final não resultará em punição, mesmo onde há evidências dos ilícitos.
A grande questão é, por que o povo permite que seus representantes, eleitos democráticamente continuem agindo dessa forma? As respostas são: Muitos brasileiros não se importam com a atuação dos políticos. Alguns fazem isso por desconhecer que pode cobrar de quem ele elegeu, outros por preguiça ou comodismo. E ainda tem aqueles que acham que não adianta cobrar nada porque é assim mesmo, político é tudo igual e que nenhum deles vai fazer nada para melhorar a vida do povo.
Há mais de quarenta anos ouço dizer que o Brasil é o país do futuro, mas esquecemos de perguntar quando vai chegar esse futuro. Tem quem diz que o político brasileiro é reflexo do que é o próprio povo porque que brasileiro gosta mesmo é de levar vantagem em tudo. Aí cabe uma pergunta: O bom exemplo tem que vir de cima(dos políticos)? ou do povo? O exemplo tem que vir do povo, afinal antes de virar político, o sujeito era um cidadão comum. Dar um dinheirinho para o guarda não multar nosso carro, comprar produtos piratas, furar filas, sujar as ruas, não pedir licença são só alguns exemplo do quanto precisamos melhorar para então cobrar que nossos políticos ajam com ética e respeito ao cidadão.